A guerra que redesenha o mercado global de energia, e seus impactos no Brasil.

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A guerra que redesenha o mercado global de energia, e seus impactos no Brasil.

Entramos na terceira semana de um conflito que já impacta diretamente a economia global, especialmente a cadeia energética. O petróleo voltou a ultrapassar os 100 dólares por barril (Brent), impulsionado pelas tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, este último com influência estratégica sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Qualquer instabilidade nessa rota gera efeitos imediatos: alta no preço da energia, pressão sobre logística, transporte e, consequentemente, inflação.

Esse movimento ocorre justamente em um momento em que o mundo sinalizava queda de juros, com a inflação desacelerando. No entanto, o choque no petróleo pode frear esse processo.

No Brasil, o cenário é ainda mais sensível. Na última reunião do COPOM (18/03), o mercado projetava uma queda de 0,5% na Selic. Hoje, essa expectativa já foi reduzida para 0,25%, e há quem defenda a manutenção da taxa atual, em torno de 15%.

Isso porque o país é altamente dependente do transporte rodoviário. Com o aumento do diesel, o impacto chega rapidamente ao preço dos alimentos e produtos, pressionando a inflação e limitando o espaço para cortes de juros.

Além da energia, a crise já afeta cadeias industriais. A redução do fluxo no Estreito de Ormuz compromete a logística global. Empresas como a QATALUM (do grupo Hydro) e a Alba (Aluminium Bahrain) já sinalizam queda na produção, esta última com redução de cerca de 19%, um volume relevante para um dos maiores produtores de alumínio fora da China.

Sem matéria-prima suficiente, como a bauxita, indústrias precisam desacelerar ou até interromper linhas de produção, operando com estoques para manter suas atividades.

O cenário, que já era incerto por tensões comerciais e disputas tarifárias, se torna ainda mais complexo com a guerra.

As perguntas agora são inevitáveis:

O Estreito de Ormuz seguirá restrito por quanto tempo? O petróleo permanecerá acima dos 100 dólares  ou pode subir ainda mais? Os juros vão cair ou permanecer elevados por mais tempo? Mais do que uma crise regional, estamos diante de um evento com impacto global.

E, cada vez mais, o mercado responde não apenas à economia, mas à geopolítica.

 

 

 

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